Claudio Van Damme já venceu provas, subiu ao pódio e conquistou títulos importantes no ciclismo brasileiro, mas nenhuma medalha brilha tanto quanto sua história. Começou a pedalar aos 30 anos, em busca de saúde, e encontrou no esporte uma nova identidade. De obeso e sedentário a atleta de elite, construiu uma trajetória marcada por disciplina, superação e consistência. Hoje, acumula vitórias na Brasil Ride e se prepara para a próxima edição com um novo impulso: o patrocínio do Bike Registrada. Uma parceria que vai muito além da camisa, conectando valores de compromisso, seriedade e paixão pelo ciclismo. Esta é uma jornada contada em detalhes, com momentos intensos, escolhas difíceis e aprendizados valiosos. Um retrato fiel de quem faz da bicicleta um propósito de vida.
Da Paraíba para os pedais: origens e primeiros desafios
Nascido em João Pessoa, Claudio Van Damme cresceu entre o calor do Nordeste e os sonhos que ainda não tinham forma definida. Aos 14 anos, a mudança para Brasília marcou o início de uma nova fase. Mas foi apenas aos 30 que a bicicleta entrou de forma definitiva em sua vida. Acima do peso, com a saúde comprometida e a energia baixa, ele precisava de um recomeço. Escolheu o pedal como ponto de partida.
O que começou como uma tentativa de melhorar o condicionamento físico logo se transformou em paixão. Não havia metas ambiciosas, apenas o desejo sincero de ser uma versão melhor de si mesmo. Aos poucos, a evolução física trouxe também mudanças emocionais. O corpo respondia, a mente clareava, e a bicicleta passou a fazer parte da rotina.
O apoio da família foi decisivo nesse processo. Com o incentivo constante dos filhos e da esposa, Claudio sentiu que não pedalava sozinho. Cada saída de casa era também uma afirmação de que era possível mudar. Foi nessa fase que surgiu o primeiro treinador, ídolo e referência: Abraão Azevedo. Sob sua orientação, Claudio estruturou os treinos e deu início à transição de praticante para atleta.
Evolução, suor e pódio: as conquistas de um atleta resiliente
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A primeira participação de Claudio na Brasil Ride aconteceu em 2010. Ao lado de Robert Schneider, ex-ciclista olímpico de 68 anos, seu único objetivo era completar a prova. Era o início de um ciclo que, anos depois, se tornaria vitorioso. Em 2012, voltou com Adilson Costa, valorizando a parceria e a experiência. A evolução era visível, mas ainda discreta.
Foi em 2015 que tudo mudou. Ao lado de Marcelo Oliveira, conquistou o título da categoria Nelore na Brasil Ride Bahia. Um feito que exigiu não só preparo físico, mas inteligência estratégica e superação mental. Anos depois, retornou ao pódio com um terceiro lugar em 2017, e continuou competindo com consistência em edições futuras.
Em 2023, sua trajetória atingiu um novo patamar com a vitória na categoria Grand Master na Brasil Ride Espinhaço. No ano seguinte, repetiu o feito com um segundo lugar. Ainda em 2023, venceu também a Brasil Ride Bonito na categoria Gravel Master C2, consolidando sua versatilidade como atleta.
Claudio coleciona conquistas, mas não se apoia nelas. Cada título é uma consequência do comprometimento diário com a evolução — física, mental e pessoal.
A mente por trás do atleta: rotina, trabalho e disciplina
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Disciplina é o fio condutor da rotina de Claudio Van Damme. Seus dias começam cedo, por volta das 6h30, com treinos planejados até nos mínimos detalhes. De terça a domingo, segue uma planilha rigorosa elaborada pelo treinador Marconi Ribeiro. Entre sessões de musculação e pedaladas, o corpo trabalha entre 12 e 15 horas semanais. Segunda-feira é o único dia reservado à recuperação, com massagens e sauna para acelerar o processo.
Fora das trilhas, Claudio se dedica à carreira como corretor de imóveis. Conecta compradores e vendedores com a mesma estratégia e foco que leva para as competições. Organiza sua agenda em blocos, respeitando o tempo de cada atividade, o que permite se doar por inteiro em tudo o que faz.
Nos finais de semana, busca equilíbrio na companhia da esposa, dos filhos e dos pais, em momentos simples que carregam significado. Essa estrutura emocional sólida é uma das chaves de sua consistência ao longo dos anos.
Cada detalhe da rotina revela que o desempenho no esporte é reflexo de escolhas conscientes. Não há improviso. Há planejamento, resiliência e uma profunda dedicação em evoluir — não apenas como atleta, mas como ser humano.
A prova mais difícil da vida: bastidores da Brasil Ride 2015
A Brasil Ride Bahia de 2015 não foi apenas mais uma competição. Para Claudio Van Damme, foi um divisor de águas. Ao lado de Marcelo Baruzão, parceiro dez anos mais jovem e com preparo técnico superior, enfrentou uma das experiências mais desafiadoras da sua trajetória no esporte.
A pressão começou antes mesmo da largada. Do outro lado da disputa, uma dupla de São Paulo formada por Fábio Hossaki e Juninho demonstrava sede de vitória. Claudio sabia que precisaria ir além do seu limite físico. Seria uma prova de estratégia, resistência e foco absoluto.
Durante os sete dias de prova, cada etapa exigia tomadas de decisão rápidas, gestão de desgaste e, acima de tudo, controle emocional. Mesmo sob forte exaustão, Claudio manteve o ritmo e a parceria com Marcelo foi fundamental para atravessar os momentos mais críticos.
Ao final, a conquista do primeiro lugar na categoria Nelore veio como confirmação de um ciclo que exigiu muito mais que força nas pernas. Foi uma batalha mental, travada em silêncio, pedal após pedal. Um título que valeu mais pela jornada do que pela medalha.
Quando a bike é o divã: o lado emocional do ciclismo
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Para Claudio Van Damme, pedalar vai muito além do desempenho esportivo. A bicicleta se tornou parte essencial de sua saúde física e emocional. Foi no pedal que encontrou equilíbrio, clareza mental e um senso de propósito renovado. Em suas palavras, a bike virou seu divã — um espaço silencioso onde cada giro de pedal ajuda a organizar pensamentos e aliviar pressões.
Essa conexão não surgiu de forma repentina. Veio com o tempo, com os treinos solitários, as subidas longas, os dias de dor e as manhãs em que sair da cama exigia mais força de vontade do que qualquer sprint final. Ainda assim, ele seguiu. Sempre com um pensamento simples guiando tudo: melhorar 1% por dia.
Esse princípio, aparentemente modesto, é o que sustenta sua consistência há duas décadas. Não importa se o avanço é pequeno; o que conta é não estagnar. É essa mentalidade que transforma desafios em combustível, e obstáculos em parte natural da jornada.
O ciclismo deixou de ser apenas um esporte. Virou um estilo de vida. Uma forma de autoconhecimento que molda seu caráter, sua rotina e a forma como encara o mundo.
Bike Registrada e Brasil Ride: o começo de uma nova fase
O convite para correr a Brasil Ride 2025 com patrocínio do Bike Registrada surgiu de forma inesperada. Alexandre Ramos, empresário e atleta que já contava com o apoio da marca, estava sem dupla confirmada. Ao perceber sua evolução nos últimos anos, Claudio brincou dizendo que toparia correr ao seu lado — desde que o patrocinador aprovasse. A resposta veio rapidamente. E assim nasceu a parceria.
Para Claudio, o patrocínio vai muito além do suporte técnico. Representa confiança, reconhecimento e responsabilidade. Ter uma marca acreditando no seu potencial é também um lembrete de que o esforço de anos começa a ecoar fora das trilhas. É uma chancela simbólica de que seu caminho inspira.
Com essa nova fase, os treinos ganharam ainda mais foco e significado. Correr uma das provas mais exigentes do país agora envolve também a missão de representar um projeto maior. Não se trata apenas de competir, mas de honrar quem apostou em sua jornada.
A aliança com o Bike Registrada também reforça o valor do esporte como ferramenta de transformação. Claudio chega para essa edição da Brasil Ride com preparo, experiência e, agora, um parceiro que compartilha os mesmos princípios.
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